Natália Araújo

Natália Araújo

Sou linda, negra, Índia, Brasileira!

Sou descendente de negros, índios e portugueses, e tenho muito orgulho das minhas raízes. 

Filha de pai negro, nascido em Itabuna, Bahia (descendente de negros e índios) e mãe branca nascida em Guarulhos, São Paulo (descendente de índios e portugueses), posso dizer que minha família, é uma família tipicamente Brasileira.

Minha mãe sempre foi uma mulher linda, todos sempre a elogiavam pelos seus lindos cabelos negros e lisos. Meu pai quando jovem tinha lindos cabelos cacheados, tão cacheados que pareciam “molinhas”.

Nós pertencemos a uma sociedade onde o padrão de beleza sempre foi ser branco e ter cabelo liso, e ser preto com cabelos cacheados é duro, feio, ruim. Como todas as meninas, sempre quis me parecer com minha mãe, especialmente ter cabelo liso como o dela. Tenho cabelos cacheados (tipo 3B, 3C) e, como adolescente, sempre me incomodou. Não entendi porque não tinha cabelos lisosigual aos da minha mãe.

As pessoas sempre perguntavam se eu era filha dela mesmo, porque ela tinha os cabelos lisos e eu não, e pelos meus traços serem diferente dos dela, e ela sempre dizia, “sim, ela é minha filha, e se parece muito com o pai.”

Eu sempre ficava triste por isso, tanto que pedia para minha mãe alisar o meu cabelo, porque queria me parecer mais com ela. E ela sempre me dizia, “filha, você é linda, essas pessoas não sabem o que falam, o seu cabelo é lindo, se eu pudesse trocaria de cabelo com você.”

Eu não me aceitava, não aceitava as minhas raízes “Afro Brasileiras”, não gostava do meu cabelo, do meu nariz, não gostava da minha cor “parda”. Aqui no Brasil, para muitas pessoas, só é negro quem tem a pele escura, só é índio quem tem cabelo liso, ainda á muito preconceito sobre questões raciais e culturais, muitas pessoas que são como eu era, preconceituosos com elas mesmas.

Minha mãe sempre me incentivou a deixar meu cabelo natural, ela nunca me deixou fazer nenhum tipo de química no cabelo, e graças ao apoio dela, eu aprendi a me amar, a me achar bonita, aprendi a amar o meu cabelo como ele é.

Eu não imaginava, que meu amor pelo Afro iria ser tão grande a ponto de me tornar, Cabeleireira Afro, essa escolha vem também junto com a dificuldade de achar um profissional que saiba cuidar de um cabelo crespo, cacheado, a maioria deles, não sabem como tratar de um cabelo assim, eles acham que a única solução é alisar, relaxar, ou algo do tipo, porque dizem ser mais fácil para cuidar. 

Tenho uma pagina no Facebook chamada, "Eu Prefiro Cachos", onde mostro todos os meus trabalhos como cabeleireira afro, mostro que não existe cabelo “ruim”, e que não á trabalho nenhum em ter cabelo crespo, cacheado, ao contrario, é muito fácil de ser cuidado. 

Hoje a minha maior felicidade, é ajudar as pessoas que então passando por essa transição, mostrando que não, não é só o cabelo liso que é bom e bonito, ou o mais fácil de ser cuidado, ajuda-las a passar pela aceitação, assumir sua identidade, suas raízes, poder olhar no espelho e dizer: Sou linda, negra, Índia, Brasileira!

I’m beautiful, Black, Indian, Brazilian!

I am a descendant of blacks, Indians and Portuguese, and I am very proud of my roots.

As the daughter of a black father, born in Itabuna, Bahia (descendant of blacks and Indians) and a white mother born in Guarulhos, São Paulo (descendant of Indians and Portuguese), I can say that my family is a typical Brazilian family.

My mother was always a beautiful woman, everyone always praised her for her beautiful, straight black hair. My father, when he was a young man, had beautiful curly hair, so curly that it looked like "little springs."

We belonged to a society where the standard of beauty has always been to be white and have straight hair, and to be black with curly hair is hard, ugly, bad. Like every young girl, I've always wanted to look like my mother, especially to have hair like hers. I have curly hair, (type 3B, 3C) and as a teenager it always bothered me. I did not understand why I did not have straight hair just like my mother did.

People always asked if I was her child because she had straight hair and I did not, and because of my features are different from hers. She always said, "Yes, she's my daughter, and she looks a lot like her father... "

I was always saddened by this, so much that I asked my mother to straighten my hair because I wanted to look more like her. And she would always tell me, "Daughter, you're beautiful, these people do not know what they're talking about. Your hair is beautiful! If I could, I would change my hair to look like yours."

I did not accept myself, I did not accept my "Afro-Brazilian" roots, I did not like my hair, my nose, I did not like my "brown" color. Here in Brazil, for many people, it is only blacks who have dark skin, only the Indians have straight hair. There is still a lot of prejudice about racial and cultural issues, many people who are like me feeling prejudice towards themselves.

My mother always encouraged me to wear my natural hair. She never let me try any chemicals on my hair, and thanks to her support, I learned to love myself, to find myself beautiful, and I learned to love my hair as it is.

I could not imagine that my love for our African culture would be so great that I would become an Afro hairstylist. That choice comes along with the difficulty of finding a professional who knows how to handle super curly hair. Most of them do not know how to treat that type of hair. They find that the only solution is to smooth, relax, or something, because they tell you it's easier to take care of it that way.

I have a page on Facebook called, "I Prefer Curls", where I show all my work as an afro hairdresser. I show that there is no such thing as "bad" hair and that it isn't hard work having curly hair, on the contrary, it is very easy to maintain.

Today, my greatest happiness is to help people who are going through this transition, showing them that it is not only straight hair that is good and beautiful or the easiest to take care of. It helps them pass through acceptance, to assume their identity, their roots, etc. I can look in the mirror and say: I'm beautiful, black, India, Brazilian!

Jaqueline Denize

Jaqueline Denize

Luciana Tavares

Luciana Tavares