Dafne Rodrigues

Dafne Rodrigues

Cresci e continuei alisando o cabelo; queria me sentir linda, queria que me olhassem sem expressões de não aceitação. A beleza estava na chapinha, pra mim.

Meu pai é negro, dele herdei as características. Foi difícil amar meu cabelo quando todos falam que o liso é mais bonito. Aos 4 anos, minha mãe começou a passar relaxante no meu cabelo, pra facilitar na hora de pentear (quando a mudança começou). Eu lembro que minha mãe fazia chapéu de crochê pra mim, tinha vários.

Eu vivia de cabelos amarrados tranças e ainda colocava o chapéu, apelidos não faltavam. Lembro que uma vez na creche a professora montou a coreogra a para a formatura e éramos 5 menininhas, 4 negras/morenas e uma loira, na coreogra a as 4 ao redor e a loira no meio, a letra da música dizia: "você é linda demais, perfeita aos olhos do pai, alguém igual a você, não vi jamais. " (Diante do trono - aos olhos do pai). Hoje me questiono porque ela no meio e não qualquer outra menina morena.

Cresci e continuei alisando o cabelo, queria me sentir linda, queria que me olhassem sem expressões de não aceitação, a beleza estava na chapinha, pra mim.

Com 16 anos de idade meu cabelo estava completamente liso, enorme, ninguém dizia que era cacheado, ser lha de cabeleireira me ajudou a mantê-lo liso e bem cuidado, era invejável por causa do tamanho e do brilho, mas na metade dos meus 16 eu não queria mais alizar então deixei o cabelo crescer sem passar produtos (foi difícil), eu fui deixando e deixando, até que estava na altura do seio e todo resto ainda liso.

No início de 2014 eu comecei cortar, cortei 4 vezes e comecei a amar meu cabelo depois cortei mais 3 agora ele está totalmente liso (acho incrível), eu não me importo com opiniões contrárias, eu nasci com essa genética e aprendi a me amar exatamente assim, chapinha hoje só pra cortar. Eu sou feliz e exatamente eu mesma, sem aceitar as opressões e o padrão que a sociedade impõe, não preciso ser loira e lisa ou morena e lisa pra ser linda. Eu sou morena cacheado, nariz gordinho mesmo e amo me sentir negra e aprendi a ser livre. Livre de chapinha, livre de padrões, livre de alisamento.

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I grew up and kept straightening my hair; I wanted to feel beautiful, I wanted to be seen without expressions of rejection. My beauty was in the “flat iron”, in my eyes.

My dad is Black and I inherited his characteristics. It was hard loving my hair when everyone thought that straight hair was prettier. When I was 4 years old, my mother started perming my hair to make dealing with my hair easier (that is when things changed). I remember my mom used to make crochet hats for me to wear; I had several. 

I always wore my hair up and in braids on top of wearing my crochet hat; there were plenty of nicknames for me from kids. I remember one day in school the teacher decided on the choreography for graduation and lined the girls up. There were five girls: four black girls and one blonde. The four black girls were told hold hands and circle around the blonde girl who was in the middle. The song's lyrics were: "you are so beautiful, perfect in our father's eyes, someone like you, I have never seen." (Diante do Trono - Aos Olhos do Pai). Today, I question why she was in the center and not one of the black girls. 

I grew up and kept straightening my hair; I wanted to feel beautiful, I wanted to be seen without expressions of rejection. My beauty was in the "flat iron", in my eyes.

When I was 16 years old, my hair was completely straight, very long; no one could tell it was actually curly. As a hair dresser's daughter, I always kept my hair done and well taken-care of; people were envious because of the length and shine. Halfway through my 16th year, I didn't want to straighten it anymore. Instead, I just let it grow without perming it (it was very hard). 

At the start of 2014, I started cutting my hair. I cut it four times and started loving the results; now it's completely curly (I find it incredible). Negative opinions no longer bother me. I was born with these characteristics and I learned to love myself just the way I am. I am happy exactly the way I am, without accepting oppressive comments and society's standards. I don't need to be blonde or have straight hair or black with straight hair to be beautiful. I am black with curls, wide nose, and I love being black and feeling free. Free of the "flat iron", free from "standards", and free from "straightening". 

Débora Cunha

Débora Cunha

Stephanie Nolen in The Globe and Mail

Stephanie Nolen in The Globe and Mail