Stephanie Nolen in The Globe and Mail

Stephanie Nolen in The Globe and Mail

O Brasil importou mais escravos do que qualquer outro país. Um total de 20% de todas as pessoas raptadas da África para serem vendidas eram trazidas para cá – um número estimado em cinco milhões de pessoas; 400 mil foram para os Estados Unidos e para o Canadá.

A jornada para o Brasil era mais barata do que para a América do Norte por causa da proximidade e das correntes de vento, o que significava escravos mais baratos também. Donos de escravos não viam razão para gastar dinheiro alimentando-os bem ou tomando conta deles; fazia mais sentido fazê-los trabalhar até a morte e depois substituí-los. Como resultado, os escravos no Brasil tiveram, em média, um tempo de vida dramaticamente mais curto do que aqueles vendidos para os Estados Unidos. Eles eram, no entanto, essenciais para o desenvolvimento da economia – as plantações de açúcar, as fazendas de café, as minas de ouro. Mais de dois milhões de escravos passaram pelo Rio de Janeiro; foram alimentados nas casas de engorda perto da rua de Merced, antes de serem exibidos nus pelas ruas, inspecionados e vendidos nas praças. O Brasil foi o último país do mundo a oficialmente abolir com a escravidão.

Até que, em 1888, quando a abolição finalmente despontou, havia mais negros do que brancos no Brasil, além de uma enorme população que podia ser descrita como mestiça ou parda – produto de uma história de colonização que assistiu a Portugal exportar majoritariamente colonos homens por 300 anos. No início, esses homens tiveram relações sexuais, consensuais ou forçadas, com mulheres indígenas. Quando a população indígena não conseguiu prover a força de trabalho cativa desejada pelos portugueses – fugindo para o interior em vez de trabalhar nas novas plantações, ou morrendo de doenças infecciosas –, os colonizadores decidiram importar escravos africanos, que eram frequentemente estuprados por seus senhores.

Quando a escravidão acabou, membros da elite branca se descobriram, aflitos, em menor número. Eles também estavam exasperados, explica Ivanir dos Santos, um pedagogo e ativista negro do Rio: como conseguiriam construir uma nação próspera e produtiva, pensavam eles, se a linhagem predominante de cidadãos era formada por filhos de selvagens africanos? A solução óbvia, concluíram, era importar genes melhores.

O governo desencorajou ativamente os antigos donos de darem trabalho pago aos ex-escravos, e se lançou num esforço para atrair europeus brancos pobres ao país a fim de formar a nova força de trabalho – com a intenção aberta de embranquecer a população.

O princípio fundador da Primeira República foi a eugenia”, é a análise sarcástica de Santos. A política acabou eternizada numa lei de imigração que dizia: “Atender-se-á, na admissão dos imigrantes, à necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência europeia.
— The Globe and Mail
 photo by:  henri meilhac

photo by: henri meilhac

Brazil imported more slaves than any other country. A total of 20 percent of all abducted people in Africa to be sold were brought here–an estimated five million people; 400,000 went to the United States and Canada.

The journey to Brazil was cheaper than to North America because of the proximity and wind currents, which meant cheaper slaves as well. Slaveholders saw no reason to spend money feeding them or taking care of them; it made more sense to make them work to death and then replace them. As a result, slaves in Brazil had, on average, a dramatically shorter life span than those sold to the United States. They were, however, essential for the development of the economy–sugar plantations, coffee farms, gold mines. More than two million slaves passed through Rio de Janeiro; were fed in the fattening houses near Merced Street, before being displayed naked in the streets, inspected and sold in the squares.

Until, in 1888, when abolition finally emerged, there were more blacks than whites in Brazil, as well as a large population that could be described as mestizo or brown - the product of a colonization history that watched Portugal export mostly male settlers 300 years. At first, these men had consensual or forced sexual intercourse with indigenous women. When the indigenous population failed to provide the captive labor force desired by the Portuguese–fleeing inland instead of working on new plantations, or dying of infectious diseases–the colonizers decided to import African slaves, who were often raped by their masters.

When slavery was over, members of the white elite found themselves in agony in fewer numbers. They were also exasperated, explains Ivanir dos Santos, a black pedagogue and activist in Rio: how could they build a prosperous and productive nation, they thought, if the predominant line of citizens were children of African savages? The obvious solution, they concluded, was to import better genes.

The government actively discouraged the former owners from giving paid work to former slaves, and set out in an effort to lure poor white Europeans into the country to form the new workforce - with the open intention of whitening the population.

The founding principle of the First Republic was eugenics,” is Santos’ sarcastic analysis. The policy ended in an immigration law that said: “In the admission of immigrants, the need to preserve and develop, in the ethnic composition of the population, the most convenient characteristics of their European ancestry.
— The Globe and Mail
Dafne Rodrigues

Dafne Rodrigues

Sarah Oliveira

Sarah Oliveira