Monalisa Nunes
Não existe um conhecimento geral sobre a história das diversas colonizações do nosso país

Nasci na Bahia, o estado brasileiro com o maior número de negros e afrodescentes do Brasil. A Bahia foi o ponto de chegada dos portugueses no Brasil e por conseguinte o portão de entrada para os escravos vindos da África. Por conta disso, até hoje somos o estado com mais influência africana no Brasil, e essa influência se dá em todos os âmbitos, desde comida, religião, estilo, música e artes, até a cor da pele e aparência da população.

A influência européia também é forte na Bahia e no Brasil como um todo, resultando numa sutil concorrência entre qual padrão deve ser seguido. 

Como mulher, eu senti muito essa “concorrência” no que se relaciona a padrões estéticos, principalmente o cabelo. Meu cabelo é crespo, porém o padrão mais aceito e considerado belo é o cabelo liso. Desde nova usei alisamentos capilares e fui instruída a suprimir às caracteríticas africanas no meu cabelo. Contudo, aquele cabelo liso não me representava mais e senti a necessidade de voltar às minhas raízes afrodescendentes passando pela transição capilar.

Esse processo foi tão marcante para mim, que hoje tenho um blog e um canal no YouTube onde compartilho minhas experiências e auxilio outras pessoas a aceitarem seus cabelos naturais.

There is no general knowledge about the history of the various settlements in our country

I was born in Bahia, the state in Brazil with the highest afro-descendent population. Bahia was the point of arrival of the Portuguese in Brazil and therefore the gateway for slaves from Africa. Because of this, until this day, we are the most influential African state in Brazil, and this influence takes place in all spheres, from food, religion, style, music and arts, to the skin color and appearance of the population. 

 

European influence is also strong in Bahia and Brazil as a whole, resulting in subtle competition among which standard should be followed.

As a woman, I really felt this "competition" relating to aesthetic standards, especially hair. My hair is curly, but the most accepted and considered beautiful pattern is straight hair. Since I was a young girl I used hair straighteners and was instructed to suppress my hair's African features. 
However, that straight hair did not represent me anymore and I felt the need to return to my Afro-descendant roots through my hair's transition. 

 

This process was so remarkable for me, that today I have a blog and a YouTube channel where I share my experiences and help others to accept their natural hair.