Maria Chantal
Você é uma pessoa bonita e única. O problema não é sua pele escura, seu nariz, lábios ou seu corpo. O problema é o racismo. Nossos ancestrais não eram escravos, eram pessoas que foram escravizadas. Nossos ancestrais foram importantes, eles contribuiram tanto pra esse mundo.

Nós meninas negras, no geral, aprendemos que cabelo crespo precisa ser solucionado e que não há outras possibilidades além de alisar.

Eu comecei nesse caminho quando eu tinha 6 anos. Pelas regras eu nem poderia usar aquele tipo de produto, mas infelizmente você pode facilmente achar menores de 12 anos com cabelos alisados.

Para mim esse processo foi tão forte que eu não conseguia ver meu cabelo de outra forma, apenas alisado, eu meio que odiava o meu cabelo, pra ser sincera. Sim isso é triste, mas as coisas mudaram. Eu tinha 14 para 15. Através da internet, eu conheci algumas cantoras/artistas com o cabelo natural. Tipo a Solange Knowles, Corinne Baile Rae (que eu amo), Erykah Badu e outras lindas referencias.

Então em agosto, talvez setembro de 2010, quando eu já tinha 16, eu peguei uma cadeira, botei no meio da sala, dei uma tesoura na mão da minha mãe e disse: "Corta por favor". Ela não poderia acreditar naquilo. Eu expliquei pra ela e ela acredito em mim e cortou meu cabelo.

Foi a minha melhor escolha.

Pessoas tiveram e tem uma educação racista. Então, elas aprenderam que pessoas com cabelo crespo são ruins, sujas, feias... e outros adjetivos ruins. E esse mesmo tipo de gente que teve uma educação racista eram as mesmas pessoas que me convidavam pra ir ao cabeleireiro e perguntavam se eu não tinha dinheiro para alisar... 

Algumas vezes eu não sabia o que estava acontecendo, porque as pessoas falavam/falam determinadas coisas para pessoas negras, mas agora eu sei era "apenas" racismo. Elas não podiam acreditar que ter o cabelo natural era a minha escolha e que eu amava isso.

Dia após dia eu vi pessoas amando e odiando meu cabelo. Isso foi divertido e amedrontador. Algumas vezes me jogavam piadinhas, mas ao mesmo tempo outros vinham e me encorajavam com lindas palavras.

Em 2013 eu estudei moda e junto a outros 3 amigos eu tive uma marca chamada N.E.C, Nada em Comum customização, uma marca de customização, mas nos faziamos camisas também. Mas quando eu estava cursando design gráfico, em 2014, eu decidi ter minha própria marca , onde eu poderia falar sobre coisas que envolviam a comunidade negra, baixa auto estima, estereótipos, falta de representatividade... enfim, racismo.

Quem fez a minha logo maravilhosa foi Stephanie Gonçalvez, @tetiiz. Ela estudou design gráfico comigo e me ajudou bastante. 

E em abril de 2015, eu comecei com a minha própria marca, foi uma grande e corajosa decisão. Eu sou tão insegura e tenho medos as vezes mas quando eu lembro que as pessoas precisão ouvir sobre o que tenho pra falar eu me encorajo e faço o que tenho que fazer.

A mensagem é: Você é uma pessoa bonita e única. O problema não é sua pele escura, seu nariz, lábios ou seu corpo. O problema é o racismo. Nossos ancestrais não eram escravos, eram pessoas que foram escravizadas. Nossos ancestrais foram importantes, eles contribuiram tanto pra esse mundo.

Em abril a marca fez 1 ano. É maravilhoso ver meus produtos, camisa, turbantes, saias e ilustrações tendo uma importância pros meus amigos, pros meus clientes, para minha comunidade. Eu consigo ver o propósito da marca sendo cumprida.

Para terminar eu gostaria de avisar que novos produtos estão chegando. Desfilei a minha primeira coleção  • Adinkra • simbolos & filosofias no evento "Você é Fantástica" no Centro cultural de Angola.

Em breve estará disponível para compra. Fiquem atentos nas redes sociais:

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www.mariachantal.com.br

Sobre Maria Chantal: Tenho 21 anos e nasci em Luanda, Angola. Já moro no Rio de Janeiro desde 2000 quando minha mãe, que era comerciante em Angola, resolveu que seria aqui que passaríamos a viver. Desde então moro aqui com ela e meu irmão.

Já fazem 16 anos que moro aqui mas a saudade de Angola nunca saiu de mim. Tenho vontade de voltar pra Angola para conhecer, já que sai de lá muito nova e as únicas memórias que tenho são bem vagas.

@lojamariachantal

@lojamariachantal

You’re beautiful and unique. The problem is not your dark skin, your nose, lips or your body. The problem is racism. Our ancestors weren’t slaves, they were enslaved. Our ancestors were important, they contributed a lot to this world.

Us black girls, in general, learn that coarse hair needs to be fixed and there are no options other than straightening it.

I started this journey when I was 6 years old. I was technically too young to even use the straightening hair products, but unfortunately it was very common to see girls younger than 12 with straightened hair. 

This process was so strong that I couldn't imagine my hair any other way, only straight, and I sort of hated my hair, to be honest. It was pretty sad, but things soon changed. When I was 14, almost 15, through the internet I was able to come across a few singers/artists with natural hair. Like Solange Knowles, Corinne Baile Rae (who I love), Erykah Badu and other beautiful examples.

In August, maybe September 2010, when I was already 16 years old, I picked up a chair, placed it in the middle of the living room, gave my mom a pair of scissors and said: "Cut it, please". She could not believe what I was saying. I explained my choice to her, she accepted it, and cut my hair off.

It was my best decision yet.

Many people had and still have an education based on racism. So they learn that those with coarse hair are bad, dirty, ugly... and just about any other bad adjective. And these same people were the ones inviting me to hair salons asking if I could afford to straighten my hair.

Sometimes I didn't really recognize what was going on, because they would say certain things only to black people, but now I know it's "just" racism. They couldn't believe that wearing my hair natural was my choice and that I loved it. 

Day after day I witnessed people loving and hating my hair. That was fun and frightening at the same time. Sometimes they would make little jokes about me, but at the same time others would see it and encourage me with beautiful words.

In 2013, I studied fashion and along with 3 other friends I started a brand called N.E.C., Nada em Comum (Nothing in Common) custom brand and we made t-shirts. When I was studying graphic design in 2014, I decided to start my own brand where I would be able to talk about things that involved the black community, low self-esteem, stereotypes, underrepresentation... ultimately, racism.  

Stephanie Gonçalvez @tetiiz designed my beautiful logo. She studied graphic design with me and helped me a lot. 

In April 2015, I actually started my brand and it was a very brave decision. I'm very insecure and sometimes very fearful, but when I think about the people who need to hear about what I have to say, I encourage myself and do what I have to do.

The message is: You're beautiful and unique. The problem is not your dark skin, your nose, lips or your body. The problem is racism. Our ancestors weren't slaves, they were enslaved. Our ancestors were important, they contributed a lot to this world.

April 2016 marked one year of my brand. It's amazing to see my products, shirts, turbans, skirts, and illustrations having such importance to my friends, clients, my community. I can see the brand's purpose being fulfilled. 

I would like to end by announcing new products that are coming. I modeled my first collection: Adinkra symbols and philosophies at the event "Você é Fantástica" (You're fantastic) at the Cultural Center in Angola. 

They will be available for purchase very soon. Follow us on social media:

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About Maria Chantal: I'm 21 years old and I was born in Luanda, Angola. I've lived in Rio de Janeiro since 2000 when my mother, who worked as a merchant in Angola, decided that this is where we would live. Since then, I've lived here with her and my brother.

It's been 16 years since I've been here but I always miss Angola very much. I would like to visit Angola and get to know the country more, since I moved at such a young age and the only memories I do have are very vague.